Alvos de operação contra o CV no Vidigal que deixou turistas ‘ilhados’ em mirante são foragidos da Bahia; veja quem são
Operação no Vidigal tem tiroteio, e Niemeyer é fechada A operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro, na comunidade do Vidigal, na Zona Sul, na manhã des...
Operação no Vidigal tem tiroteio, e Niemeyer é fechada A operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro, na comunidade do Vidigal, na Zona Sul, na manhã desta segunda-feira (20), tenta prender os 13 detentos que fugiram do Conjunto Penal de Eunápolis, na Bahia. A fuga aconteceu em dezembro de 2024. Segundo a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), os detentos se encontram desde então no Rio de Janeiro, sob a proteção do Comando Vermelho (CV). Entre os foragidos está Ednaldo Pereira dos Santos, conhecido como "Dada", considerado o principal chefe do tráfico na região de Caraíva, distrito turístico de Porto Seguro, na Bahia. [Veja a lista completa mais abaixo] Edinaldo Pereira Souza, conhecido como “Dada” Seap De acordo com o órgão de segurança pública, as investigações apontam que os alvos da operação, mesmo foragidos, continuam chefiando à distância, articulando ações criminosas e mantendo vínculos com o tráfico de drogas e outros delitos na Bahia. A polícia também procura Wallas Souza Soares, conhecido como "Patola", suspeito de chefiar a facção com Dada. Ele não estava preso no Conjunto Penal de Eunápolis quando ocorreu a fuga. Patola é procurado pela polícia e a esposa dele, Núbia, foi presa nesta segunda. Reprodução/Redes Sociais A operação provocou um intenso tiroteio na comunidade do Vidigal. Durante a ação, criminosos interditaram a Avenida Niemeyer com um ônibus atravessado e contêineres da Comlurb. No alto do Morro Dois Irmãos, cerca de 200 turistas ficaram ilhados, sem conseguir descer. Uma mulher, identificada como Núbia Santos de Oliveira, esposa de Wallas Souza Soares, foi a única presa na operação até a última atualização desta reportagem. Segundo a investigação, ela ajudava a lavar dinheiro da facção. Dezenas de turistas presos no Morro Dois Irmãos durante operação no Vidigal Reprodução/TV Globo Os alvos são: Ednaldo Pereira Souza, conhecido como Dada (chefe da facção criminosa Primeiro Comando de Eunápolis); Considerado o principal alvo da operação, é apontado como chefe do tráfico na região de Caraíva, distrito turístico de Porto Seguro, na Bahia. As investigações apontam que após a fuga, ele passou a se esconder na Rocinha, em São Conrado. Nos últimos dias, alugou uma casa no Vidigal, comunidade vizinha, e recebeu familiares e amigos para uma festa. Na fuga, deixou parentes e amigos para trás. Monitorado pelo Ministério Público baiano, Dada teve a movimentação identificada, o que levou à operação no Rio. Detentos que fugiram de penitenciária da Bahia. Divulgação/Seap Sirlon Risério Dias Silva, conhecido como Saguin (subchefe da facção criminosa Primeiro Comando de Eunápolis); Altieri Amaral de Araújo, conhecido como Leleu (subchefe da facção criminosa Primeiro Comando de Eunápolis); Mateus de Amaral Oliveira; Geifson de Jesus Souza; Anderson de Oliveira Lima; Fernandes Pereira Queiroz; Giliard da Silva Moura; Romildo Pereira dos Santos; Thiago Almeida Ribeiro; Idário Silva Dias; Isaac Silva Ferreira; William Ferreira Miranda. Apenas três dos 16 fugitivos foram alcançados Outros três detentos conseguiram fugir durante a ação e foram alcançados: Anailton Souza Santos, o Nino, morto em confronto com a polícia em janeiro de 2025 em Eunápolis; Valtinei dos Santos Lima, conhecido como Dinei, recapturado em setembro de 2025, em Porto Seguro; Rubens Lourenço dos Santos, conhecido como Binho Zoião (da facção criminosa Primeiro Comando de Eunápolis), morto na megaoperação do Rio de Janeiro, em outubro de 2025. Participações de diretora e ex-deputado federal na fuga Uldurico Júnior e Joneuma Silva Neres. Reprodução/Redes Sociais Durante uma delação premiada feita em fevereiro deste ano, assinada com o Ministério Público da Bahia (MP-BA), a ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, disse que facilitou a fuga dos 16 detentos da unidade, a pedido do ex-deputado federal Uldurico Júnior (PSDB). As investigações do órgão culminaram na prisão do político, na quinta-feira (16). Ele nega o crime (veja o posicionamento ao final do texto). O g1 e a TV Bahia obtiveram acesso ao documento da delação, registrada no dia 9 de fevereiro deste ano. Nele, Joneuma Neres, que ficou presa por mais de um ano, mas deixou o presídio há um mês para cumprir prisão domiciliar, detalhou a participação dela e de outras pessoas no crime. Durante a delação, Joneuma Neres: assumiu que tinha conhecimento da negociação e do plano realizado para a fuga dos internos, e agiu com negligência; confirmou que foi nomeada como diretora do Conjunto Penal de Eunápolis por indicação de Uldurico Júnior, com quem teve um relacionamento amoroso; disse que a facilitação da fuga aconteceu após Dada aceitar pagar R$ 2 milhões para Uldurico Júnior; afirmou que o ex-deputado disse a ela que metade do dinheiro seria entregue para o ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB). O político negou envolvimento com o caso. Fuga dos 16 detentos Veja o momento em que 16 detentos fogem de presídio na Bahia A fuga aconteceu em dezembro de 2024 e teve repercussão nacional. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), os detentos fugiram por volta das 23h, do dia 12 de dezembro de 2024. Segundo o coronel Luís Alberto Paraíso, comandante da Polícia Regional na cidade, a fuga só foi possível porque enquanto os detentos perfuravam o teto de uma cela, um grupo de oito homens armados invadiu o presídio, atirando nos agentes de plantão. "O grupo criminoso veio de fora do presídio, cortou a grade e começou a atirar nas guaritas. Essa troca de tiro sustentou a fuga dos elementos que desceram por cordas e fugiram pelo matagal". Simulação mostra como criminosos fizeram para resgatar 16 detentos de presídio na Bahia Durante a ação, os homens mataram um cão de guarda do presídio e abandonaram um fuzil calibre 5.56 — fabricado nos Estados Unidos e sem numeração aparente — no local. Dois carregadores com 57 cartuchos intactos também foram encontrados. Os foragidos cumpriam penas por tráfico de drogas, associação para o tráfico de drogas e homicídios qualificados. Romance entre Joneuma e Dada Ex-diretora de presídio é presa suspeita de facilitar fuga de 16 detentos na Bahia Arquivo Pessoal Joneuma Silva Neres foi presa um mês após o crime, suspeita de facilitar a fuga dos detentos. Ela responde ao processo em prisão domiciliar desde março deste ano. Ela foi acusada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) de ter uma ligação com a organização criminosa da cidade e de ter se relacionado com Dada. Joneuma esteve à frente a unidade por nove meses e foi a primeira mulher a ocupar este tipo de cargo no estado. No entanto, apesar da representatividade, o que veio à tona após as prisões revela que o conjunto penal estava sob comando do crime organizado. Conforme informações do processo ao qual a TV Bahia obteve acesso com exclusividade, desde que assumiu o cargo, em março de 2024, a gestora chamou a atenção das autoridades, especialmente pelas regalias dadas aos presos. Segundo informações presentes no documento, ela autorizou a entrada irregular de roupas, freezers, ventiladores e sanduicheiras. Entre as regalias apontadas no depoimento, está o acesso de visitas. Em depoimento, o coordenador de segurança da unidade, Wellington Oliveira Sousa disse que a esposa de Dada "passou a ingressar no conjunto penal, sem qualquer inspeção, mediante autorização da diretora". Outros relatos indicaram ainda que Joneuma e Dada viveram um relacionamento amoroso, com relações sexuais dentro do presídio. LEIA TAMBÉM: Ex-diretora de presídio teve romance com detento e envolvimento com facções na Bahia, diz investigação Ex-diretora de presídio e detento foragido negociavam votos por R$ 100 para beneficiar vereador e ex-deputado federal Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻