Entenda como rede de mercados da Bahia se tornou produto de crédito consignado ligado ao Banco Master
Loja da Cesta do Povo na localidade do Ogunjá, em Salvador, é reaberta Carol Garcia/GOVBA A 9ª fase da operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia ...
Loja da Cesta do Povo na localidade do Ogunjá, em Salvador, é reaberta Carol Garcia/GOVBA A 9ª fase da operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (18), tem como alvos o senador e líder do Governo no Senado Federal, Jaques Wagner, e ex-CEO do Banco Master, Augusto Lima. A relação entre os dois está associada a rede de mercados baiana Cesta do Povo e ao cartão de crédito com benefício consignado CredCesta. O banqueiro passou a ganhar notoriedade após comprar a rede de supermercados Cesta do Povo, durante a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), leiloada em 2018. Em nota enviada a editoria de Política do g1, em abril deste ano, Jaques Wagner confirmou que conheceu Augusto Lima em 2017, quando era o secretário responsável por conduzir o processo de privatização da Ebal. Nesta reportagem, o g1 detalha como a venda da Cesta do Povo influenciou o modelo atual do CredCesta, e qual é a relação do benefício com o Banco Master. Quem é Augusto Lima, dono do Banco Pleno, ex-sócio de Daniel Vorcaro, alvo da PF e ligado a petistas da Bahia Quem é Jaques Wagner, senador alvo da 9ª fase da Compliance Zero que mira caso Master Empresa Baiana de Alimentos Trabalhadores da Ebal protestam em frente a Cesta do Povo Henrique Mendes/G1 A Ebal foi uma empresa pública do governo da Bahia criada para atuar no abastecimento alimentar e no comércio varejista de produtos básicos. Ela era a responsável por operar a rede de mercados Cesta do Povo. A Ebal foi colocada em leilão para a iniciativa privada em 2015, no governo de Rui Costa (PT). Após dois leilões sem lances, a empresa foi arrematada em 2018, pelo valor de R$ 15 milhões. O processo foi comandado pelo então governador Rui Costa, ex-ministro da Casa Civil, juntamento com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, então secretário de Desenvolvimento Econômico. Cesta do povo Cesta do Povo, em Salvador Reprodução TV Bahia Polícia cumpre mandados de busca e apreensão em instituto ligado ao banqueiro Augusto Lima na 9ª fase da Compliance Zero A Cesta do Povo foi uma rede de supermercados criada pelo governo da Bahia, nos anos 1970, com foco em vender produtos básicos a preços mais acessíveis para a população de baixa renda. Durante muitos anos, a Cesta do Povo teve presença forte no interior da Bahia e em bairros populares de Salvador, mas começou a perder a força a partir dos anos 2000. Quando a administradora Ebal foi leiloada em 2018, a Cesta do Povo também foi vendida. Augusto Lima adquiriu a rede de mercados. CredCesta O CredCesta é um cartão de benefício consignado ofertado a servidores públicos, aposentados e pensionistas, onde o pagamento das parcelas é descontado diretamente da folha de pagamento. Apesar de atualmente operar em todo o Brasil, ele surgiu na Bahia e tem forte ligação com a rede Cesta do Povo. Com a compra da Cesta do Povo, em 2018, Augusto Lima também adquiriu o Credcesta, que na época era um cartão de benefícios voltado a servidores públicos municipais e estaduais. O financiamento bancava a compra parcelada de servidores do estado nos supermercados. Entre 2019 e 2024, Augusto Lima atuou como sócio e CEO do banco Master, de Daniel Vorcaro. Neste período, ele expandiu o CredCesta para além da finalidade original de compra de gêneros alimentícios e o cartão se tornou a porta de entrada do Banco Master para operar na modalidade de crédito consignado. Banco Master Reprodução/TV Globo Segundo um requerimento da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS para a quebra de sigilo bancário de Augusto Lima, a ampliação do Credcesta transformou o cartão em um produto de crédito consignado “que se disseminou pelo país e passou a integrar carteiras negociadas com fundos de investimento e outras instituições financeiras”. De acordo com as investigações, uma parte relevante desses créditos oferecidos a aposentados e pensionistas não foi informada às autoridades ou não possuía recursos e estrutura suficientes para operar dentro das regras. Em meados de 2025, já no meio da mais grave crise envolvendo o Banco Master, os dois decidiram romper a sociedade. Augusto Lima ficou com o Banco Pleno, que tem como origem o cartão de crédito consignado Credcesta, de uma rede estatal de supermercados da Bahia. LEIA TAMBÉM: PF investiga se Jaques Wagner recebeu R$ 3,5 milhões e apartamento de luxo em Salvador PF apreende 49 mil dólares em espécie em endereço ligado a Jaques Wagner em Brasília Saiba como Jaques Wagner teria atuado em benefício do Banco Master, segundo a PF Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻